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Torrefador investe para ganhar espaço em café (23/1/2008)
Animados com a perspectiva de alta nas cotações mundiais, produtores e indústrias de café investem para acelerar o crescimento da produção e fazer frente ao incremento de safra dos principais concorrentes no mercado mundial. A Café Orfeu, marca da Fazenda Sertãozinho, irá aumentar sua produção em 50%, com a torrefação de 10 mil quilos até o final de 2008. Esse número representa 10% da produção de 20 mil sacas da Fazenda e 1,2 milhão de xícaras de espresso por mês. "O mercado está muito aquecido. Janeiro costuma ser um mês calmo, mas os clientes estão aparecendo", afirma a diretora comercial do Café Orfeu, Ana Cecília Dias.
"Não acredito que o incremento na produção de outros países produtores possa afetar as exportações brasileiras, em função de os estoques mundiais estarem muito abaixo da média", ressalta o diretor comercial da Sertãozinho, José Renato Gonçalves.
Já a Ipanema Coffees optou por contratos de longo prazo -que variam de 8 a 10 anos- com fazendas terceirizadas para garantir o atendimento da demanda. Além disso, irá lançar nas próximas safras as marcas Novo Horizonte, Irarema e Lambari, frutos dessas parcerias.
Essas fazendas variam de 300 hectares até 700 hectares e juntas deverão incrementar a produção em cerca de 25 mil sacas. "Funciona como uma joint venture sem fusão de ativos. A Ipanema faz um estudo e dá as diretrizes agronômicas para que elas passem a produzir melhor e ter o mesmo padrão de qualidade; em contrapartida, elas dão a garantia de fornecimento", explica o presidente da Ipanema, Washington Rodrigues.
Mesmo com o anúncio da divisão da Associação de Café e Cacau do Vietnã para intensificar o desenvolvimento de ambas as indústrias, o aumento de safra da Colômbia e a recente declaração do presidente da Câmara Peruana de Café, Jose Luis Navarro, de que a safra do Peru poderá aumentar 51%, para a 5,9 milhões, Rodrigues não acredita na redução dos volumes de exportação do Brasil. "A demanda mundial é maior e o consumo interno deve manter o crescimento", avalia. "O que pode trazer problemas é a extensão da crise americana. As primeiras a serem atingidas são as commodities agrícolas, e o café é a mais sensível, o que pode gerar uma queda de receita", ressalta.
Para Sérgio Carvalhaes, sócio do Escritório Carvalhaes, a oferta maior não deve pressionar os preços negativamente. "Essa safra de tamanho maior é muito bem-vinda, os estoques estão sendo usados e o consumo é maior que produção", diz. Com a entrada de novos players no mercado de café, como Coca-Cola, Pepsi e McDonald's, ele vê um mercado firme nos próximos três anos. "Devido às outras commodities terem melhorado, dando um bom rendimento ao produtor, o preço do café não está tão atrativo, e quando o mercado se der conta de que a demanda é muito maior que a oferta e os preços dispararam, vai demorar para que a produção se equilibre novamente", avalia.
Um dos casos mais expressivos de investimento em produção é o da Octavio Café que está dobrando de tamanho, variando de 520 hectares de café na safra passada para 990 hectares em produção este ano, e mais 178 hectares em formação que já serão colhidos na safra 2009/10. "Com 470 novos hectares em produção, vamos passar de 15 mil sacas para 32 mil sacas", diz o diretor de operações da Octavio Café, João Guilherme Martins, que atribui o ótimo desempenho à produtividade registrada nas fazendas. "A média móvel da nossa produtividade nos últimos quatro anos foi de 33 sacas por hectare, enquanto a média nacional no ano passado foi de 17 sacas", completa.
Martins está seguro de que o mercado continuará aquecido e de que a tendência é de alta nos preços. "Com estoques baixos e a demanda aumentando, as perspectivas continuam boas; acredito que nos próximos meses podemos chegar a US$ 150 a saca", afirma. Para a linha de especiais, Martins se mostra ainda mais otimista. "O mercado de especiais está crescendo muito e terá uma oferta reduzida desse produto, gerando preços melhores. Hoje os preços estão cerca de 30% acima dos do café comum, mas podem chegar a 300%", avalia.
Representando as indústrias, a multinacional Mitsui Alimentos, que detém, entre outras, a marca Café Brasileiro, acaba de investir R$ 15 milhões para aumentar sua capacidade mensal de produção de 1,6 mil toneladas para 3,6 mil toneladas e oferecer preços mais competitivos. O parque fabril da filial na cidade de Araçariguama, em São Paulo, será reinaugurado no próximo dia 30. Impulsionados com a perspectiva de um ano favorável ao mercado de café e de alta nas cotações mundiais, produtores e indústrias de café investem para acelerar o crescimento da produção e fazer frente ao incremento de safra dos principais concorrentes mundiais.
A multinacional Mitsui Alimentos, que detém, entre outras, a marca Café Brasileiro, acaba de investir R$ 15 milhões para aumentar sua capacidade mensal de produção de 1,6 mil toneladas para 3,6 mil toneladas e oferecer preços mais competitivos. A Ipanema Coffees optou por contratos de longo prazo com fazendas terceirizadas para garantir o atendimento da demanda. Além disso, irá lançar nas próximas safras as marcas Novo Horizonte, Irarema e Lambari, frutos dessas parcerias. "Funciona como uma joint venture sem fusão de ativos", explica o presidente da Ipanema Coffees, Washington Rodrigues.
A Café Orfeu, marca da Fazenda Sertãozinho, e a Octavio Café, estão dobrando a área plantada e também o volume de sacas produzidas.
Fonte: DCI
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